Vendo velhas fotos, lembrando passagens antigas, planejando o futuro, penso no milagre da vida. Vida única. Vida compartilhada.
Montanha Russa? Fácil explicar: porque acho que a vida é assim, cheia de vertigens, emoções, altos e baixos. Que pode até andar devagar, enquanto se prepara para acelerar...Com o tempo passei a admirar esse movimento todo e hoje não vivo sem isso que alguns chama de maluquice da vida. Aperte os cintos e bem vindo a bordo !
Thursday, April 12, 2007
Wish You Were Here
Da série "Clássicos"...
Toda vez que ouço penso em Saudades. Não de alguém ou algo específico. Penso mais no futuro, e aí me livro da melanconia que a palavra saudade carrega.
Acredito que a vida de cada um de nós dê um bom livro. O gênero do livro vai depender muito, mas com certeza sempre será interessante. Nós nem percebemos mas acumulamos milhares de imagens, cores, sons, cheiros, sabores, sentimentos e emoções enquanto vivemos o nosso dia-a-dia.
Se fecho os olhos e lembro da chuva que tomei voltando de bike de Americana é como se sentisse minhas roupas encharcadas de novo. O cheiro de café e bolo da casa da minha avó. A caminhada cedinho para pegar o ônibus para o CLQ. Para ir para a Unicamp não era mais tão cedo, mas também lá estava eu esperando no ponto.
Os seis meses de espera até o "sim". O frio na barriga o dia que rodei com o carro, se bem que a Carla deve ter assustado mais, afinal ela só voltou a falar alguns minutos depois. Nossa primeira viagem, para o Rio. O bondinho subindo para o Pão de Açúcar e ao mesmo tempo indo para dentro de uma nuvem. Chegamos lá e não deu para ver absolutamente nada.
As tartarugas correndo para o mar em Fernando de Noronha e a que desviou para mim porque esqueci de desligar o flash da máquina. As luzes do reveillon no Rio. O Morumbi iluminado apenas com as luzes dos celulares de milhares de pessoas, na noite que o Bono do U2 chamou de "festinha particular" um show para 70.000 pessoas. O fundo do mar, a 28 metros de profundidade, o som da minha respiração saindo pelo respirador. Voar de ultraleve depois de assinar um termo atestando minha ciência que era um vôo era experimental.
Os meus dois grandes "quase acidentes". O dia que entrei no carro do Alexandre, para logo em seguida desistir do que íamos fazer e depois quando cheguei em casa descobri que ele tinha capotado. Um dia lá perto do aeroporto, até hoje não sei como aquele carro desviou, foi tão rápido que nem deu tempo da pessoa me xingar. A impressão que tenho é que o outro carro passou por dentro do meu.
As viagens com a turma. As viagens com a Carla. As festas, as formaturas. A viagem de volta da formatura do Sérgio em Itajubá. A bagunça na formatura da Carla. O discurso no casamento do Sérgio e da Ana, as 12 horas de viagem de volta no do Emerson e da Nelisa. O dia que passei no vestibular. A minha formatura. O meu casamento.
Maus momentos. Existiram, mas prá que relembrar? O passar do tempo os deixou cada vez menores, como se a dor passasse e ficassem apenas os ensinamentos. Mais importante é perceber que todas as vezes que enxerguei o fim na verdade era apenas um novo começo. E sempre é bom recomeçar.
Célio Faria Júnior, CFJ. Marido e amigo da Carla; filho do Célio pai e da Sandra (que alguns chamam de dr. Célio e d. Sandra); irmão da Ana; cunhado do Ari. Padrinho da Giovanna, do Pietro, do Sérgio e da Ana, do Emerson e da Nelisa.
Amigos espalhados por aí....Da turma do ginásio em SBO, do colegial no CLQ, da faculdade na Unicamp. Além dos que foram trombando comigo nesses 33 anos, do clube, das ruas, dos locais de trabalho, dos cursos. O pessoal do tênis, do inglês, do espanhol. Desde a época que os "Largado" realmente mereciam o título até hoje em que a maioria está casado e com filhos. Da turma do tênis, das pedaladas pela João Ometo (SBO), do vestibular. Da época de correr 8 kms com o Sérgio ou pedalar 40 kms com o Armelin.
Mudei pra São Paulo achando que iria voltar a morar sozinho e 40 dias depois estava morando com a Carla. Lembro a primeira vez que vi o prédio da Multibrás, no dia da entrevista e achei tudo aquilo de outro mundo para, pouco tempo depois, entrar lá para o meu primeiro dia de expediente. Até hoje quando passo por lá lembro de tudo isso.
Foi lá que entendi o que significava Logística e até hoje a gente se dá super bem.
No dia do meu casamento eu comecei a me arrumar menos de uma hora antes e mesmo assim cheguei 10 minutos antes da noiva, que estava se aprontando desde as 9 da manhã. E olha que nesse meio tempo ainda tive que descer pra pegar o presente do Maurício e atender o Aluízio no telefone.
Tinha gente de todas as fases da minha vida, todos os amigos que fizeram parte da minha existência. Além de quem com certeza estava lá porque eu não poderia esquecer da presença deles ali comigo. A presença da ausência...
Deve ter sido a única vez que ficaram debaixo do mesmo teto o pessoal que conheci em SP -"adulto, profissional" - e os amigos dos tempos de estudante. Será que eles falariam de Célios diferentes?
Pulei Carnaval na roda surreal que se formava no clube. Tão surreal que quando acabou acabaram também os bailes por lá porque perdeu a graça. Tinha também o Baile dos anos 60, do Havaí, sambão de sexta, danceteria de sábado e domigo. Mr Dandy, Café Cancun, Cachaçaria (the best). Nas férias costumava passar mais tempo no clube do que em casa.
Ainda volto sempre para SBO, mas não é a mesma coisa. Ainda bem. Sinal que o tempo passou e as pessoas evoluíram. Só a cidade continua igual, mas isso é outra estória.
Vendo velhas fotos, lembrando passagens antigas, planejando o futuro, penso no milagre da vida. Vida única. Vida compartilhada.
Montanha Russa? Fácil explicar: porque acho que a vida é assim, cheia de vertigens, emoções, altos e baixos. Que pode até andar devagar, enquanto se prepara para acelerar...Com o tempo passei a admirar esse movimento todo e hoje não vivo sem isso que alguns chama de maluquice da vida. Aperte os cintos e bem vindo a bordo !